Em tempos de pandemia, mantenha-se saudável!

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr +

Em tempos de pandemia, e tendo em conta as previsões para as próximas semanas no que diz respeito à COVID-19, ou cedemos ao pânico ou fazemos o possível para nos mantermos física e psicologicamente saudáveis.

A pandemia do coronavírus está a deixar as populações em alerta e a gerar o pânico. É difícil manter a calma diante da incerteza, mas é importante, mais do que nunca, cultivar a tranquilidade, por cada um e pelo bem comum.

Os coronavírus são uma família de vírus que podem causar doença no ser humano. COVID-19 é o nome atribuído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) à doença provocada pelo novo coronavírus SARS-COV-2. Este vírus foi identificado pela primeira vez em humanos no final de 2019, na cidade chinesa de Wuhan, província de Hubei.

A infeção pode ser semelhante a uma gripe comum ou apresentar-se como doença mais grave, como uma pneumonia.

Os sintomas reportados são habitualmente febre, tosse e falta de ar. As complicações têm surgido sobretudo em doentes idosos ou com outras doenças crónicas que diminuem o seu sistema imunitário.

Não existe tratamento específico até à data. O tratamento é sintomático e de suporte de órgãos, de acordo com a gravidade dos casos. A prevenção passa por evitar a exposição a este vírus.

A principal forma de contágio é através do contato próximo com outras pessoas contaminadas, nomeadamente através de gotículas libertadas pelo nariz ou boca ao tossirmos ou espirrarmos. De acordo com um novo estudo do National Institutes of Health, publicado no The New England Journal of Medicine, o vírus pode permanecer até dias em algumas superfícies, como é o caso do plástico e do aço inoxidável. Ainda não é claro como é que o vírus se comporta em superfícies mais porosas como a roupa. Estes resultados reforçam a ideia de que o vírus pode ser transmitido também através de objetos e de superfícies (dinheiro, maçanetas, telemóveis e telefones fixos, comandos de TV ou ar condicionado, botões de elevadores, máquinas Multibanco e corrimões).

O Centro de Prevenção e Controlo das Doenças (CDC) considera que o tempo de incubação do vírus (tempo que decorre entre a exposição ao aparecimento dos sintomas) pode durar entre 2 a 14 dias. Daí o período de quarentena corresponder a 14 dias.

Recomenda-se a todas as pessoas o isolamento preventivo e o distanciamento social. Evitar o contato próximo pelo risco de contágio e manter uma distância mínima de segurança que deve ser superior a um metro.

Durante o isolamento social (seja ele de caráter profilático ou obrigatório), mantenha um estilo de vida saudável. Não descure de uma boa alimentação. Prepare a sua despensa sem cair em alarmismos e exageros. Tenha em consideração o número de pessoas que vivem em sua casa e, quando for ao supermercado, aposte em produtos que tenham um prazo de validade mais alargado para evitar desperdícios. Se optar pela compra de alimentos frescos, dê prioridade ao seu consumo. Tenha no seu congelador carne, peixe e legumes. Compre alguns alimentos em conserva. Os ovos também são uma boa opção, uma fonte de proteína com uma validade alargada. Inclua na sua dieta alimentos que estimulam o sistema imunitário, como laranja, quivi, cogumelos, sementes de abóbora, amêndoas ou iogurte.

Enquanto permanece em casa, mantenha-se ativo. Algumas das estratégias que pode adaptar para se movimentar mais e cumprir os 30 minutos diários de atividade física moderada recomendados pela OMS, encontram-se no Programa Nacional de Promoção da Atividade Física, da Direção Geral da Saúde (DGS). Algumas delas passam por: evitar estar sentado, reclinado ou deitado mais de trinta minutos seguidos, levantar-se e caminhar pela casa sempre que precisar de falar ao telemóvel ou durante os intervalos publicitários da TV, colocar o comando da TV a uma distância que o obrigue a levantar-se sempre que precisar de o utilizar, alternar entre a posição de sentado e de pé durante o trabalho ao computador, realizar atividades domésticas entre outras. Para os mais habituados à prática de exercício físico, podem sempre seguir os vídeos das aulas disponibilizadas pelos diferentes ginásios ou aplicações online e com alguma criatividade tudo se consegue.

Exercite o cérebro. Aproveite o tempo que passa em casa para fazer atividades que estimulem a sua capacidade cognitiva, como ler, jogar jogos de tabuleiro e de cartas e montar puzzles.

Desinfetar a casa é fundamental. Limpe com frequência as superfícies que são mais tocadas, como: mesas e secretárias, maçanetas, interruptores da luz, sanitas, lavatórios, torneiras. Segundo a DGS, ao fazer a desinfeção das superfícies, devem ser utilizadas luvas e roupa protetora, como um avental de plástico. Para a desinfeção comum de superfícies: comece por lavá-las com água e detergente, aplique lixívia diluída em água na proporção de uma medida de lixívia em 49 medidas iguais de água e deixe atuar durante 10 minutos, enxague apenas com água quente e deixe secar ao ar. Quanto ao mobiliário e outros equipamentos, como comandos e telemóveis, poderá desinfetá-los após limpeza com toalhetes humedecidos em desinfetante ou álcool a 70°. Para a limpeza e desinfeção das instalações sanitárias, deve optar por um produto de limpeza misto que contenha detergente e desinfetante na composição, por ser de mais fácil e rápida aplicação e ação.

Esta fase de isolamento social trata-se de um cenário que pode levar ao stress, ansiedade, solidão, frustração, tédio e/ou raiva, juntamente com sentimentos de medo e desesperança, cujos efeitos podem durar ou aparecer mesmo após esse período. Tente ficar ocupado e mantenha contatos sociais, dentro de casa, com as pessoas mais próximas, assim como contatos por e-mail e telefone com outros familiares e amigos. Não trivialize o risco, mas tente evitar o medo ou a apreensão sobre a doença. Seja cauteloso e prudente sem alarmismos. Crie uma rotina diária e aproveite a oportunidade para fazer coisas que gosta e em que muitas das vezes não tem tempo. Com um pouco de imaginação, tudo pode servir para combater o tédio e afastar as preocupações.

Se tiver crianças, ensine de forma clara como se transmite a doença e como todos nos devemos proteger. Tanto quanto possível, mantenha as rotinas e os horários habituais ou ajude a criar novas rotinas no novo ambiente, incluindo momentos de aprendizagem/escola e tempo para brincar e relaxar em segurança.

Em relação à forma de ajudar os idosos a lidar com o isolamento, a sugestão dos psicólogos, disponível no site da Ordem dos Psicólogos Portugueses, passa por falarem com amigos e familiares porque ajuda a reduzir a ansiedade, a solidão ou o aborrecimento e ainda tomar a iniciativa de aprender a adaptar-se às novas tecnologias de comunicação como por exemplo as videochamadas.

Tenha uma visão crítica relativamente às informações que encontra. Opte por informação divulgada por instituições oficiais, como a DGS e OMS e siga as recomendações atualizadas com base na evidência científica.

Tente viver uma vida normal, dentro do possível. Cumpra as recomendações. Ao proteger-se a si, está a proteger os outros.

Vai ficar tudo bem!

Ana Patrícia Simões

ilustração: Filipe Carneiro

Biografia:
Ana Patrícia Simões
Natural de Tondela, chegou a São Miguel em 2008, após se formar em Enfermagem pela Escola Superior de Saúde de Viseu. Tirou a Pós-graduação em Emergência e Trauma em 2015. Concluiu a Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia em 2018. Atualmente, exerce funções como enfermeira especialista no HDES.

Share.

About Author

Associação Plataforma Saúde & Cidadania

Associação Plataforma Saúde & Cidadania A PS& C é uma associação sem fins lucrativos que visa promover os direitos na saúde e na sociedade, através da conceção, promoção, execução e apoio a programas, projetos e ações de cariz social, cívico e educacional. Assenta em três eixos de intervenção: i)Comunicação & Marketing; ii) Formação &Intervenção e iii) Investigação. Tem como finalidade despertar na região uma consciência cívica pró-saúde.

Comments are closed.