A política e os jovens: o papel crucial do associativismo jovem como uma alternativa

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A pior coisa que um pai ou uma mãe podem fazer, do ponto de vista educativo e político, a um miúdo de quinze ou dezasseis anos é autorizá-lo a juntar-se a uma juventude partidária. Com essas idades, olhamos para elas como plataformas de crescimento e de superação, mas, na verdade, para além de incómodos políticos para os partidos que os sustentam – porque a juventude é irreverente, indomavelmente composta por hormonas escaldantes e absurda por vezes -, são também imbróglios de ambições desmesuradas, de disciplinas ideológicas e de conduta prejudiciais ao desenvolvimento harmónico e pleno do jovem animal político que se cultiva e floresce devagar. Na juventude temos de, politicamente falando, crescer depressa, o que não pode acontecer.
O jovem político deve crescer devagar, conhecer todas as vertentes, todos os cantos, todas as ideias e perceber, ao longo do tempo, que não deve pertencer a uma ideia ou a uma família, mas que se deve adaptar às ideias e às várias famílias conforme lhe tiver escutado o espírito de que é feito: assim se faz um democrata, um político. Assim se faz alguém que não é cego, que não vê só PSD ou PS, mas a qualidade, quando é indiscutível, e o mérito, quando existe, independentemente da cor que o envolve. As juventudes partidárias tiram dos jovens a capacidade de olharem as várias cores da mesma forma: não, eles só passam a ver uma, a sua, a única. E o resto passa a ser pecado.
A alternativa aí passa pelo associativismo apartidário e dinâmico. Aí é que entram, com um papel cívico fundamental, as associações de juventude que são bem mais saudáveis que as juventudes partidárias. Primeiro, porque são apartidárias e ideologicamente mais apáticas e menos vincadas do que as primeiras, logo não se formatam jovens, não se impingem ideias nem se proíbe ninguém de olhar para a direita ou para a esquerda, conforme for mais conveniente. Numa associação de jovens abraçam-se jovens de todas as famílias, de todas as cores, de todas as raças, e isso é tão bonito.
Depois, ao contrário das juventudes que estão fragmentadas em mil e um cargos, uma associação começa e acaba no mesmo número de cargos: os órgãos sociais. E quem os ocupa não adquire o estatuto pomposo, e prejudicial, de ser “delfim” algum de algum partido ou figura política em particular nem se torna um candidato a futuro primeiro-ministro ou presidente de coisa alguma – torna-se simplesmente no presidente, no secretário ou no tesoureiro da dita associação, sem demais associações, pressões ou encargos psicológicos que possam criar estatutos pomposos e giros. Que possam criar expectativas sociais ou, pior, pressões.
Em associações de juventude, creio, não há a política do “delfim”, do “criar gado” – como quem diz: criar jovens à maneira socialista ou social-democrata -, mas há sim um conjunto de jovens – jovens! – que, pronto, querem participar, querem ser dinâmicos, querem crescer em conjunto e com envolvimento cívico e social, sem pressões internas, sem pressões pessoais, sem pressões partidárias para crescerem depressa e se tornarem uma arma de satisfação pessoal ou conjunta.
Uma associação, legal e com os seus estatutos e regulamento interno, é uma alternativa extremamente saudável para qualquer jovem que queira participar activamente na sua comunidade. Basta haver vontade.
Júlio Tavares Oliveira
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About Author

Júlio Tavares Oliveira tem 19 anos e é estudante. É natural da cidade de Lagoa, onde reside. Crê ser um legítimo aspirante a escritor/poeta, já tendo publicado duas obras literárias – uma em 2015 e outra em 2016. Frequentou, embora de forma breve, o curso de Ciência Política, no ISCTE-IUL, em Lisboa.

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