Todos devemos ser feministas (Parte 1)

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Há cerca de 4 anos, deparei-me com um discurso proferido por Chimamanda Ngozi Adichie (escritora nigeriana) intitulado “We should all be feminists”. Este discurso foi dado numa conferência da TEDx Talk em 2012 e encontra-se disponível no Youtube, tendo sido, também, publicado em 2014 numa versão em papel e outra digital.
Pessoalmente, este discurso teve um enorme impacto em mim, desde as primeiras palavras até às últimas. As suas ideias e histórias pareciam ser minhas, como se a escritora nigeriana conseguisse ler os meus pensamentos. Acima de tudo, foi quando me apercebi que não estava sozinha quando sentia que eu e todo o sexo feminino éramos tratados de maneira diferente. Até então a palavra “feminista” não me dizia muito, mas depois daquele momento passou a significar tudo.
Chimamanda começa o discurso a contar o episódio da sua vida – aliás ela conta vários episódios, os quais tornam o seu discurso mais rico, pessoal, divertido e elucidativo – em que pela primeira vez alguém a chamou de feminista. A escritora tinha cerca de catorze anos e estava a discutir ideias com um grande amigo seu – Okuloma – quando este lhe disse: “Sabes, tu és uma feminista”. E não lho disse como se fosse um elogio, muito pelo contrário. Ela não sabia ao certo o que a palavra “feminista” significava, pelo que assim que chegou a casa foi imediatamente ver ao dicionário o que significava.



No final do discurso, C. Adichie retoma a este episódio, afirmando que o seu amigo tinha razão: ela é uma feminista. E revela o que ela tinha encontrado no dicionário, naquele dia: “Feminista – uma pessoa que acredita na igualdade social, política e económica entre os sexos”.
Não acredito que Chimamanda pudesse terminar de melhor forma o seu discurso. Foi aí que percebi o que era ser feminista, e eu própria fui ao dicionário procurar o significado do termo feminista. A definição que encontrei foi a seguinte: pessoa simpatizante ou partidária do feminismo. Admito, desde já, que a definição que encontrei não me agradou tanto como a encontrada pela C. Adichie. Contudo, queria realçar que tanto uma definição como a outra demonstram que a palavra feminista não tem sexo, na medida em que quem é feminista não tem de ser necessariamente uma mulher ou um homem; um homem pode e deve ser feminista, nem que seja por amor e respeito às mulheres da sua vida, sejam suas mães, irmãs, filhas, companheiras, etc.

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About Author

Licenciada em História pela Universidade dos Açores, Joana Couto tem especial preferência pela História da Arte. Considera-se feminista, acreditando ser possível construir uma sociedade mais justa em que as pessoas não sejam julgadas pelo seu género, raça, entre outros fatores, mas pelo seu mérito.

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