Notas eleitorais sobre São Miguel

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Com uma simples leitura dos resultados das eleições autárquicas de 1 de outubro, chega-se à conclusão que a ilha de São Miguel foi a que mais novidades nos trouxe.
Existem agora três autarquias do PSD (Ribeira Grande, Nordeste e Ponta Delgada) e três do PS (Vila Franca do Campo, Lagoa e Povoação), contrariando o resultado de há quatro anos em que os social-democratas só tinham duas câmaras municipais e os socialistas quatro.
Ao nível de São Miguel, os social-democratas obtiveram mais votos que os socialistas. O PSD obteve 49,61% e o PS 42,81%, ou seja, os social-democratas tiveram mais 4352 votos que os socialistas. Já o PCP-PEV alcançou 1,49%, o PAN 0,83%, a coligação CDS-PP.PPM 0,44% e o Livre 0,43%, sendo que nenhum destes alcançou mandatos. Todavia, aquando da conversão dos votos em mandatos, o PSD apenas conseguiu 19 face aos 21 do PS.
O CDS-PP passou a fazer parte das forças políticas menos votadas na maior ilha açoriana. Mesmo em coligação com o PPM, ficou atrás do PCP-PEV e o PAN passando dessa forma a ser a penúltima força política.
A Ribeira Grande tornou-se no novo bastião do PSD ao ter um resultado eleitoral que foi ao encontro da “vitória expressiva” pedida dias antes das eleições pelo recandidato à autarquia, Alexandre Gaudêncio. Foi o melhor resultado do partido em toda a ilha.
Conquistaram 67% dos votos face os 27% do PS para a Câmara Municipal, ou seja, mais 14% do que há quatro anos. Este reforço de votação permitiu eleger um quinto vereador e confirmou o voto de confiança dado ao executivo camarário que Alexandre Gaudêncio decidiu reconduzir.
Também foi neste concelho que o PSD alcançou o melhor resultado ao nível das Assembleias Municipais em toda a ilha. Arrecadaram 60,42% dos votos, isto é, mais 10% do que há quatro anos. Inclusive reforçaram o seu peso nas Assembleias de Freguesia, passando do anterior empate de sete para sete para agora o PSD liderar oito das catorze juntas.
A Ribeira Grande passa assim a ter uma voz de peso no seio do PSD Açores.
Ponta Delgada renovou a sua confiança em José Bolieiro, tendo o PSD alcançado 51% dos votos para a Câmara Municipal não dando hipótese a Vítor Fraga que arrecadou 39% dos votos para o PS apesar de ter começado prematuramente a sua campanha. Mérito para Bolieiro que decidiu os próprios “timings” e manteve uma postura de confiança ao longo de todo o processo eleitoral.
Contudo, o PS venceu a maioria das Assembleias de Freguesia de Ponta Delgada (catorze face a nove do PSD e uma para Santa Clara Vida Nova).
Devido ao maior número de juntas conquistadas pelo PS, o futuro executivo camarário irá enfrentar um mandato sem ter a maioria do PSD na Assembleia Municipal, o que poderá dificultar a sua ação nos próximos anos. Esta situação coloca em causa quem irá liderar o órgão municipal. A chave para uma boa comunicação institucional será essencial.
O social-democrata António Soares conseguiu derrubar o socialista Carlos Mendonça após um único mandato à frente dos destinos da autarquia do Nordeste. Conseguiu 59% face os 31% do PS. Uma votação onde houve uma clara transferência de votos de um partido para o outro. Foi neste concelho que, para as Assembleias de Freguesia, o PSD ao nível de São Miguel teve maior votação tendo conseguido vencer em sete e o PS em dois.
Por outro lado, o PS obteve votações bastante expressivas quer na Lagoa (70%) quer na Povoação (77%) para as respetivas autarquias. Foi uma estratégia ganha pelo PS renovar os executivos camarários do então Ponte na Lagoa e de Ávila na Povoação. O PS também saiu vitorioso em Vila Franca do Campo com uma votação reforçada, alcançando assim 54%.
A dúvida que paira agora é sobre quem irá presidir a AMISM, se o PS ou o PSD. Vejamos as cenas dos próximos capítulos.

Carmen Gaudêncio
Politóloga
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