“O orgulho português é mais do que apenas um slogan”

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr +
Eles dispensam apresentações para muitos portugueses a viver tanto em Portugal como no estrangeiro. Derrick DeMelo, Brian Martins, Al Sardinha e Jay Casimiro – The Portuguese Kids – cresceram nos EUA, no seio de famílias tipicamente açorianas. Conseguiram sempre encontrar o lado humorístico nas situações mais mundanas, o que os impulsionou para o mundo do entretenimento. A sua habilidade em caracterizar o típico emigrante açoriano em terras americanas faz com que o público se reveja e identifique de forma menos séria. Derrick DeMelo deu-nos a conhecer um pouco mais sobre este grupo de comediantes que tem visto a sua popularidade crescer no panorama da comédia regional.

Como surgiram The Portuguese Kids?
Crescemos na mesma vizinhança. Frequentávamos a mesma igreja e fazíamos sempre as pessoas rirem. Mais tarde, quando crescemos e eu já estava na faculdade, começámos a filmar cenas engraçadas (ou pelo menos achávamos que eram divertidas) para um canal de TV local de acesso público. Foi então que descobrimos um teatro de comédia em Boston, o MA, que realizava cursos de formação. Foi ali que os donos do teatro nos encorajaram a fazer comédia portuguesa, porque ninguém mais o estava a fazer. Graças a Deus, nós os ouvimos!

De onde, nos Açores, emigraram as vossas famíilias?
Somos todos descendentes de açorianos. Os meus pais (Derrick) são de Santa Maria, as famílias dos Brian, do Al e do Jay são todas de São Miguel. Na verdade, eles são todos da Água Retorta. O pai do Brian nasceu nas Capelas.

Pode-nos descrever o processo de criação por detrás dos vossos sketches?
Temos dois tipos de sketches: ao vivo e de vídeo. Os sketches ao vivo são escritos em roteiro e ensaiados. Os esboços de vídeo geralmente são decisões rápidas, por isso podemos às vezes criar uma ideia do nada. Mas muitas vezes é apenas observando as nossas famílias. Algo acontecerá e isso provocará uma ideia. Dirigimo-nos então ao escritório e um de nós dirá: “Hey, e que tal isto?” Dez minutos depois, estamos filmando sem guião para ver o que acontece. Os esboços escritos têm mais camadas em si, porque num espectáculo ao vivo tentamos apresentar uma performance teatral para que nos possamos divertir, mas de uma forma mais aprofundada.
Quem são os vossos comediantes favoritos? Como é que eles vos influenciaram?
Nós temos tantos! George Lopez obviamente é uma grande influência; oChris Rock, Jim Gaffigan, Dave Chapelle. Até mesmo comediantes da nossa própria comunidade: Mike Rita de Toronto, Taylor Amarante da Califórnia ou o Helfimed de São Miguel. Todos eles são inspiradores para nós por várias razões diferentes. Assim como alguma comédia étnica também, como My Big Fat Greek Wedding ou Os Trapalhöes (um grupo de comédia brasileiro). Nós gostamos também dos clássicos: Mel Brooks, Don Rickles, Monty Python, Benny Hill, entre outros que são já muitos para enumerar!

Como foi crescer nos EUA com raízes Portuguesas tão fortes?
Muitas vezes foi frustrante, especialmente enquanto crianças por vermos os nossos amigos americanos fazer tantas coisas, como praticar desportos, sair com amigos, dormir na casa de um amigo! Nós nunca podíamos fazer metade dessas coisas. A maior parte do nosso tempo livre era passado a ajudar a nossa mãe ou o nosso pai a executar tarefas domésticas. Mas também foi especial. Nós fazíamos parte de uma grande cultura, com a qual nos identificávamos. Sim, nós crescemos como americanos orgulhosos, mas também nos orgulhamos de onde viemos, e isso é algo que é 100% universal, não importa para onde viajamos. O orgulho português é mais do que apenas um slogan, é a vida real e nós vemo-lo em todos os espetáculos.

Qual é o vosso sketch favorito e porquê?
O meu sketch favorito entre todos é o Phone Call. Quando um rapaz tenta telefonar para o seu pai para obter uma boleia, mas o pai está meio surdo e acha que é alguém que está a telefonar para casa para falar com o filho. O pai está a gritar: “Kevin! Tens uma chamada!” e o Kevin grita:” Pai, eu não estou em casa, estou no telefone!”. Baseia-se numa história verídica e é apenas um dos nossos esboços que é tão universal, porque, independentemente da cultura, pode identificar-se com o facto de os seus pais não saberem usar o telefone.

Angariam fundos através de vários dos vossos espectáculos. A que instituições são esses fundos doados?
75% dos nossos espectáculos são para caridade. Muitas vezes são para pequenas instituições de caridade, outras para uma criança com cancro ou para um fundo de bolsa de estudos. Nós fizemos espetáculos para Susan B Komen, March of Dimes, enfim, são imensas as iniciativas para as quais nós contribuímos. O que é único é que quase todos esses espetáculos são solicitados por luso-descendentes. Somos contratados para proporcionar entretenimento e ajudar a configurar o espetáculo.

O que, na vossa opinião, torna tão engraçada a representação de indivíduos luso-americanos em situações rotineiras?
Eu penso que, durante vários anos, os portugueses estiveram ausentes do panorama cultural popular. Quando começámos a aparecer, muitas pessoas ficaram agradavelmente surpreendidas ao ver-nos fazer algo com o humor português. Eles queriam ser representados e nós ajudámos com isso. Os portugueses da geração dos nossos pais nem sempre são reconhecidos por ter sentido de humor, mas, acreditem, eles gostam de rir, assim como os seus filhos e netos. Outra coisa que tentamos fazer é garantir que os nossos personagens não sejam vilificados. Sim, eles podem ter as suas falhas, mas não os retratamos como bêbados desdentados como fazem outros grupos de comédia (não que sejamos contra isso, mas na América do Norte somos mais sensíveis sobre a representação de pessoas portuguesas).

Visitaram recentemente a ilha de S. Miguel. Como foi o regresso aos Açores?
Para os The Portuguese Kids foi a quarta vez que estivemos de volta e é sempre incrível. As pessoas da ilha adoram o que fazemos e estão param-nos na rua para dizer olá ou para tirar uma selfie – é ótimo!!! Embora os meus pais sejam de Santa Maria, São Miguel é uma das minhas ilhas favoritas para visitar. Tem tudo o que eu adoro experimentar nas férias: cultura, beleza natural e uma ótima vida noturna.

Que saldo tiram desta viagem?
A viagem que fazemos com a Sagres Vacations é uma ótima oportunidade para as pessoas se reconectarem com as suas raízes e divertirem-se connosco na ilha. A maioria das pessoas na nossa viagem não fala uma palavra em português, mas querem visitar a aldeia na qual os seus pais ou avós nasceram e isso é algo especial para nós: podermos oferecer algo assim, onde as pessoas se podem voltar a conetar. E também ver todos as paisagens incríveis que há para ver na ilha.

Faz parte dos vossos planos expandir a produção de espetáculos para outros países?
Sim! Já fizemos espetáculos nos EUA, Canadá, Bermuda, Austrália e Portugal. Estamos a considerar a Inglaterra e a África do Sul de seguida! É uma experiência incrível e uma honra poder visitar essas comunidades incríveis e compartilhar a nossa marca única de comédia com eles.

Qual é o sonho derradeiro para The Portuguese Kids?
Queremos continuar a construir a nossa marca. Nós temos um seguimento muito leal e surpreendente, o qual nos tem ajudado a alcançar os nossos sonhos e queremos manter esse passo durante o máximo de tempo que pudermos. Estamos a trabalhar em diferentes meios (TV, filme, etc.) e estamos sempre a pensar em material novo para mantê-lo fresco para os nossos fãs. O sonho final seria fazer um filme, ou um programa de TV que destaque o lado mais divertido do crescimento português. Fiquem sintonizados!

https://www.youtube.com/user/outofthegutter/featured
https://www.facebook.com/portuguesekids/

Share.

About Author

Natural de Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, Berta Correia formou-se em Comunicação Social e Cultura pela Universidade dos Açores em 2007. Atualmente residindo em Calgary, Canadá, Berta trabalha por conta própria no ramo da puericultura e desempenha funções de tradutora como freelance. O seu gosto pela informação e pela escrita faz com que o jornalismo seja um complemento natural na sua vida.

Comments are closed.