“A forma [açoriana] de compor deve ser a nossa marca registada”

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr +

“Mar de Capelo” é o novo trabalho discográfico de Aníbal Raposo, músico açoriano, que falou à 9idAzoresNews sobre a sua paixão pela música e sobre o novo CD. A aceitação dos açorianos ao seu novo disco tem sido satisfatória, mas na opinião do músico ainda muito há a fazer no que concerne à valorização da música açoriana e dos artistas locais.
Venha connosco conhecer melhor este artista musical açoriano.

Apresentou agora um novo trabalho musical. Fale-nos dele.
O “Mar de Capelo” é o quarto CD que edito a solo. Surge quatro anos depois do “Rocha da Relva” e inclui quinze temas originais da minha autoria, cujas sonoridades passam pelo blues, pop rock, samba e música popular portuguesa. Este CD tem produção minha e do Eduardo Botelho e conta com a colaboração dos elementos da minha banda e outros músicos e cantores açorianos que emprestaram o seu enorme talento na gravação dos temas.

Como está a ser a reação dos açorianos ao mesmo?
Muito boa. As pessoas fazem questão de me demonstrar que gostam do meu trabalho como compositor. Abordam-me na rua em qualquer das nossas ilhas e dizem-no, o que me deixa muito feliz.

Como começou a paixão da música na sua vida?
Gosto de música desde que me conheço. Talvez por na minha família se ter sempre cultivado a música popular e o verso.

A música açoriana é diferente? Se sim, porquê?
Esta é uma pergunta difícil. Do ponto de vista da forma talvez não seja assim tão diferente. Do ponto de vista do conteúdo, da palavra, gosto de pensar que é diferente. Com efeito, o poeta e/ou letrista deve falar daquilo que conhece, do que viveu ou observou. Se optar por não cantar banalidades, obviamente que toda a envolvência açoriana deve estar lá. Aliás, esta forma de compor é que, no meu entendimento, deve ser a nossa marca registada, a nossa originalidade.

É importante cantar na nossa língua?
Claro que é. A língua portuguesa é global, uma das mais usadas no planeta, e o número de pessoas que a falam continua em franco crescimento.

Muitas pessoas desvalorizam a música portuguesa e, nesse caso em particular, a açoriana. Porquê?
Só pode ser por falta de cultura e de auto estima ou por não terem bom ouvido.

É possível viver somente da música? Que entraves apresenta esta profissão?
Nos Açores é muito difícil viver só da música. Conheço quem o faça, mas passa por sérias dificuldades de sobrevivência. Ora isto acontece porque grande parte das organizações e pessoas desvaloriza o trabalho musical dos músicos açorianos, o que é um erro tremendo. Se não valorizarmos o que é nosso quem o vai fazer? E há sempre uma organização, privada ou não, que está disponível para pagar balúrdios para ter em cima de um palco um músico ou cantor de fora, muitas vezes de qualidade duvidosa, mas que acha que os de cá devem atuar à borla. Tenho imensa pena que isto aconteça.

O que lhe dizem os Açores?
Os Açores são a minha terra, um lugar mágico, e um dos melhores sítios do mundo para se viver. Garanto que sei do que falo!

Quem é o Aníbal Raposo?
Um açoriano simples, engenheiro mecânico de profissão, que já atuou em todas as ilhas; ama a sua terra e as suas gentes, e que ao longo da sua vida tem procurado, através das suas composições, valorizar a nossa música. Deixa já um legado apreciável: mais de uma centena de temas, mas não pretende ficar por aqui!

Share.

About Author

Formada em Comunicação Social e Cultura, pela Universidade dos Açores, Patrícia Carreiro tem como paixão os livros. Já escreveu e publicou os seguintes livros: A Distância que nos Uniu, Amizade a branco e preto, O fio perdido e Os limites do coração. Enquanto jornalista já passou pela RDP e RTP Açores, Açoriano Oriental, Expresso das Nove e JornalDiário.com. Foi representante da Chiado Editora e da Pastelaria Studios Editora nos Açores e coordena o projecto EscreVIVER (n) os Açores. Atualmente, é diretora editorial e jornalista da 9idAzoresNews.

Comments are closed.