A preservação de costumes e tradições “é uma forma de afirmação da nossa identidade cultural”

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Amante de música e antigo colaborador do jornal Portuguese Times, em New Bedford, Massachussetts, Luís Viveiros emigrou para os Estados Unidos era ainda bastante jovem. Natural da Vila de Nordeste, para trás deixou a terra que o viu nascer, mas nunca permitiu que os costumes e tradições com que cresceu se perdessem no tempo. Luís Viveiros partilhou connosco um pouco da sua história.

O Luís Viveiros é natural da Vila do Nordeste em S. Miguel.  Quando e em que circunstâncias emigrou para os Estados Unidos da América?
Emigrei para os Estados Unidos em dezembro de 1979, através de uma petição feita pela minha irmã Fátima Pacheco que já cá residia há quase 11 anos.

Deixou Portugal durante o fenómeno migratório entre os Açores e os Estados Unidos.  Como foi a sua transição entre estes dois “mundos” diferentes?
A transicão entre dois países diferentes é sempre difícil. Primeiramente, ao partir da minha terra em idade jovem, deixei para trás a melhor etapa da minha vida, como os amigos, recordacões da juventude e a terra que me viu nascer. Ao chegar ao Estados Unidos foi difícil para mim enfrentar um país que não conhecia, toda uma nova cultura, costumes e tradicões e principalmente o idioma. Enfim, foi mesmo começar tudo de novo. Fui privilegiado por ter o apoio de familiares e amigos quando cá cheguei, o que de certa forma facilitou a minha integração nesta nova sociedade ao mesmo tempo aproveitando as oportunidades que o país nos proporciona.   

Como surgiu a sua colaboração com o jornal semanal Portuguese Times?
A colaboracão com o jornal Portuguese Times surgiu numa altura em que estive desempregado e tive a oportunidade de colaborar na parte da publicidade e em algumas reportagens, o que foi interessante pois era algo diferente evque nunca tinha feito. Foi realmente mais uma fase interessante da minha vida em que tive o prazer de colaborar, conviver e estar mais próximo da nossa comunidade portuguesa.

A emigração para o continente americano é uma parte integrante da identidade açoriana. Tendo em conta que New Bedford é uma das cidades americanas onde se encontra uma das maiores comunidades açorianas, qual é, na sua opinião, a importância de manter os nossos costumes e tradições numa terra tão distinta culturalmente?
Partimos da nossa terra à procura de um futuro melhor, mas trazemos connosco a saudade, e esta mesma faz-nos preservar e reviver os nossos costumes e tradições. Manter, entre nós emigrantes, costumes e tradições é importante, porque, no meu entendimento, é uma forma de afirmação da nossa identidade cultural, projetada pela nossa forma de ser, sentir e estar.

Qual o peso, na sua opinião, de um povo coeso a residir no estrangeiro?
É muito importante a comunidade manter-se unida e coesa, como forma de preservar e reforçar os nossos valores culturais e tradições e não menos importante integrar-se na sociedade de acolhimento de uma forma participativa constituindo, assim, uma força importante na defesa dos seus interesses, dos seus valores, das suas tradições e da sua cultura. A força e o peso de uma comunidade passam, inevitavelmente, por essa união.

A música faz parte da sua vida. Quando e como se desenvolveu esse gosto?
A música sempre fez parte da minha vida. Lembro-me, era ainda muito jovem, quando a família se reunia à noite ao luar e tocávamos guitarra e cantávamos. Mas o meu envolvimento íntimo com a música deu-se em 1966, quando dei entrada no Seminário do Colégio do Santo Cristo em Ponta Delgada. Ali tínhamos lições de canto e educação musical, o que me despertou ainda mais o interesse pela música, mesmo depois de frequentar o Seminário, fazendo parte de atividades culturais como comédias rurais, etc. Depois emigrei e então aqui fiquei um pouco desviado da música, dedicando-me aos estudos. Mas mesmo assim, sempre que podia, a música estava presente.

Atua em espetáculos com o seu filho, William. Foi o Luís Viveiros que lhe incutiu o gosto pela música?
O gosto do William pela música foi, com certeza, influenciado por mim. Desde cedo, ele habituou-se a ver-me tocar e cantar, até ao dia em que lhe propus cantar comigo. Ele tentou e era óbvia a apetência dele para a música. Decidi, então, inscrevê-lo em aulas de canto e de guitarra acústica. Mais tarde, já quando o meu filho tinha 14 anos, iniciámos uma nova etapa: a de abrilhantar festas, e criámos um serviço de DJ, atuando em casamentos e festas na comunidade portuguesa. Mais tarde formámos um duo denominado “2 Man Band”. Para ele passou a ser um “hobby”.

Encara a possibilidade de se dedicar a tempo inteiro à música?
Dedicar me à música a tempo inteiro não. Conheco os meus limites e, atendendo à minha idade, não tenho grandes ambições em relação a uma carreira na música. Além do mais, sei que é muito difícil viver só da música em qualquer parte do mundo. Adoro música e sinto-me realizado e feliz com tudo o que fiz na vida.

Tem algum projeto para o futuro, no que diz respeito à música?
Projetos para o futuro no que diz respeito à música não tenho nehum. Adoro a música, mas como um passatempo. Atuo todos os sábados num restaurante português chamado Beira Alta, em Fall River, onde adoro estar e passar uma noite agradável com os meus amigos.

Que memórias de S. Miguel guarda com mais carinho?
As memórias de S. Miguel que guardo com mais carinho são, sem dúvida, da terra onde nasci: a Vila do Nordeste. Sinto saudades dos meus amigos de infância e da escola e desses lugares que ficaram perpetuados na minha memória.

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About Author

Natural de Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, Berta Correia formou-se em Comunicação Social e Cultura pela Universidade dos Açores em 2007. Atualmente residindo em Calgary, Canadá, Berta trabalha por conta própria no ramo da puericultura e desempenha funções de tradutora como freelance. O seu gosto pela informação e pela escrita faz com que o jornalismo seja um complemento natural na sua vida.

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