Casa dos Açores de São Paulo

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Embaixada açoriana na principal e maior cidade do Brasil

Com os objetivos de reunir os açorianos, os seus descendentes e todos os simpatizantes da Região, bem como manter e propagar a cultura, o folclore e os usos e costumes dos Açores, a Casa dos Açores de São Paulo figura no cenário paulistano com enorme importância e como reconhecimento pelo seu trabalho. A somar mais de uma centena de sócios, a entidade integra o Conselho Mundial das Casas dos Açores desde 1997, e promove ações específicas de divulgação dos Açores, como eventos gastronómicos, palestras, exposições e outros eventos com foco nas artes, envolvendo teatro, dança, música e sessões de poesia.
Para conhecer um pouco mais o trabalho dessa Associação, conversamos com Marcelo Stori Guerra, presidente-executivo da Casa dos Açores de São Paulo, que falou sobre os desafios da entidade, as acções realizadas, as principais festas e o futuro da Casa.

Fale-nos um pouco sobre a história da Fundação da Casa dos Açores de São Paulo. Quais são os principais momentos da entidade?
A Casa dos Açores de São Paulo foi fundada no dia 22/06/1980, pelos açorianos residentes no bairro da Vila Carrão, na cidade de São Paulo. Grande parte dos açorianos residentes nesse bairro veio dos Açores para trabalhar no Cotonifício Guilherme Gorge e alguns nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, no setor da tecelagem. O primeiro presidente e fundador da Casa foi Manuel de Medeiros. Ainda vivo, atualmente empresário, recebeu recentemente, na data comemorativa do Dia do Descobrimento do Brasil e Dia da Comunidade Luso-Brasileira, o Diploma de Honra ao Mérito, pela Câmara Municipal de São Paulo, em virtude das relevantes contribuições para a manutenção da cultura e tradições dos Açores. A sede da Casa dos Açores de São Paulo foi construída com doações somente da comunidade açoriana local, sem ter havido qualquer contribuição do Governo dos Açores.

Há quanto tempo é presidente da entidade e como começou a sua história na Casa?
Em 2008, eu ocupava o cargo de vice-presidente do Conselho de Administração da Casa e, após o falecimento do presidente do Conselho, Waldemar Luiz, assumi a Presidência do Conselho até o final do mandato. Daí para frente, fui eleito presidente-executivo da Casa, cargo no qual permaneço até a presente data. A minha história na Casa dos Açores de São Paulo é muito interessante. Apesar de possuir ascendência portuguesa, a minha origem não é nos Açores, mas sim no Continente Português, na região da Guarda. Conheci a Casa dos Açores de São Paulo através de minha ex-esposa, que é filha de açorianos, do lado materno e paterno. Comecei a frequentar a Casa pelas Festas do Divino, onde colaborava ficando no caixa da barraca do vinho. Nessa época, recebi o convite do então presidente do Conselho, José Luís Tavares Arruda, para ser o advogado do conselho, convite este que muito me honrou e que, de imediato, aceitei. Depois de ocupar o cargo de advogado do conselho, fui convidado para ser conselheiro, depois vice-presidente do conselho e presidente.

Quais são hoje as principais atividades em desenvolvimento na Casa?
O principal papel da Casa dos Açores de São Paulo é a manutenção da cultura e tradição do povo açoriano no Estado de São Paulo. Dentro desse escopo, destacamos a Festa do Divino Espírito Santo, com a folia, sorteio das sortes, missa com o Senhor Santo Cristo dos Milagres e coroação de Nossa Senhora de Fátima; a Semana Cultural Açoriana, realizada anualmente com a participação de escolas da região e da comunidade; almoços tradicionais; noites da pizza com bingo para unir e divertir a comunidade e a participação das Casa dos Açores de São Paulo em eventos de outras comunidades, levando a cultura, culinária e tradição açorianas. Desenvolvemos também a nossa tocata; temos o Grupo Folclórico, o nosso coral Cantares do Basalto e desenvolvemos atividades na Casa para a comunidade, como, por exemplo, aulas gratuitas de dança.
Temos dois espaços na Casa destinados a locação. A Casa possui dois grandes salões para eventos, além de biblioteca, capela, salas administrativas, sala de reuniões, bar, duas cozinhas e terreno nos fundos.

Quais são as principais festas e eventos realizados no calendário anual da entidade?
A Festa do Divino Espírito Santo, como já mencionado; a noite da pizza com bingo, o Coquetel dos Colaboradores da Festa do Divino; a Semana Cultural Açoriana; o Aniversário da Casa; o Aniversário do Grupo Folclórico com almoço comemorativo; a Confraternização do Natal e a produção de Massa Sovada em datas comemorativas, como, por exemplo, dias dos pais, das mães, Natal e outras.

Qual é a importância de liderar a Casa dos Açores nessa região?
É uma grande honra e também uma grande responsabilidade liderar a Casa dos Açores de São Paulo, na maior cidade da América do Sul, uma vez que a Casa funciona como se fosse uma embaixada dos Açores em São Paulo. Temos ações junto do Consulado-Geral de Portugal em São Paulo, junto do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo, onde ocupo o cargo de diretor, junto das demais Casas Luso-Brasileiras e diversas outras autoridades e Órgãos Públicos Federais, Estaduais e Municipal.

Como se encontra a saúde financeira da instituição? Tem ajuda de algum órgão?
É um grande desafio manter o caixa positivo em associações culturais sem fins lucrativos. A Casa dos Açores, através de várias ações que realiza, possui um caixa positivo e suficiente para manter as actividades necessárias para cumprir o seu objetivo como entidade cultural. Temos um apoio anual que recebemos do Governo dos Açores, nos últimos anos.

Qual é o valor médio necessário para manter a Casa em funcionamento todos os meses?
Em média necessitamos de R$ 7 mil por mês (cerca de 2 mil euros), que totaliza o valor anual de R$ 84 mil (cerca de 24.700 euros).

Quais são os principais desafios da instituição hoje em dia?
Além da procura por meios financeiros para a manutenção das atividades, outro grande desafio é envolver os jovens nas ações, como também desenvolver novos sucessores para a direcção da Casa.

E o que nos pode contar sobre as atividades folclóricas da Casa?
O Grupo Folclórico da Casa dos Açores de São Paulo possui actualmente 25 componentes e foi fundado em 1981. Além do grupo, temos o Coral Cantares do Basalto que nunca foi aos Açores.

Como pensa o futuro da entidade e como está o relacionamento com as demais Casas dos Açores no Brasil e no mundo?
O futuro da entidade está diretamente ligado ao desafio de se buscar a viabilidade financeira para a sua permanência, da participação dos jovens nas suas atividades e de termos novos sucessores que queiram dedicar o seu tempo e conhecimento para a manutenção da cultura e tradições açorianas. No que toca ao relacionamento com outras Casas, no Brasil temos contato com todas elas e, externamente, através do Governo Regional dos Açores, há um encontro mundial chamado Conselho Mundial das Casas dos Açores (CMCA), onde ocorrem vários intercâmbios. Este ano, o CMCA ocorrerá na Casa dos Açores de Ontário, no Canadá.

Por fim, que mensagem deixa para quem ainda não conhece a Casa dos Açores que preside?
Vale a pena conhecer o trabalho que realizamos na Casa dos Açores de São Paulo. Tudo é feito com muito carinho e dedicação. Procuramos sempre enaltecer e manter, numa grande metrópole, a cultura e tradição da nossa história.

Facebook da Casa dos Açores de São Paulo:
https://www.facebook.com/casadosacoressp/

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About Author

Ígor Pereira Lopes possui graduação em Comunicação Social – Jornalismo pela Faculdades Integradas Hélio Alonso (2004), no Rio, e é Mestre em Comunicação e Jornalismo pela Universidade de Coimbra (2010). Atualmente, trabalha na imprensa brasileira e portuguesa. É autor de dois livros que remetem à ligação Brasil-Portugal. É especialista em comunicação, jornalismo e medias digitais. Possui prémios e distinções no cenário jornalístico e literário.

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