“Não volte as costas à dor”

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A dor é uma realidade inconveniente, é um sentimento que não se deve menosprezar. Eu, durante muitos anos, só sabia o seu nome. Às vezes tratava-me como se fosse seu igual. Procurei conhecê-la melhor até que um dia a encontrei espalhada nos livros, nas revistas e em desdobráveis. Em S. Miguel, na Unidade da Dor, gente instruída e sapiente falou-me dela e ajudou-me a estreitar laços duradoiros e a conviver com ela. Por outro lado, tenho assistido a importantes e grandiosos eventos para ouvir falar sobre a dor. De pensar tanto nela, e de a eternizar em versos, até já penso que a conheço bem, mas na verdade, ela está sempre a ensinar-me coisas novas. Por vezes, surpreende-me e até chega a assustar-me só para me relembrar alguns aspetos que já sei de cor.

Mesmo sabendo do seu atrevimento, e às vezes sem dar sinais, tenho procurado um melhor relacionamento com ela e até divulgado o seu incerto nome, para que outros a conheçam também e dela possam falar. Aos jovens contei alegremente as tristezas que ela, quando zangada, pode trazer se os seus alertas desprezarem.

Agora, aquela que é minha, já a conheço pelo nome. Já sei que os seus inconvenientes são tantos que só juntos poderemos encontrar a força suficiente para a enfrentar. Foi neste âmbito que nasceu a Associação de Doentes de Dor Crónica dos Açores (ADDCA). Foi crescendo para ajudar aqueles e aquelas que, como eu, sofrem de dor. Não obstante a sua tenra idade, isto é, a sua primeira década, tem muitos amigos e amigas que com ela podem contar. Todavia, muitos mais se podem juntar.

Mesmo jovem já mudou a minha vida e a de outros também. Aqui se passam horas sem fim. A dor, essa fica lá fora, fica bem longe dos convívios, das confraternizações, das cantorias e da audição musical, não vá ela incomodar a alegria e a boa disposição ou quem, voluntariamente, faz um trabalho pelo prazer de o fazer, ver e olhar. Nela depositamos a esperança que todos querem alcançar. A ADDCA é um espaço que toda a gente poderá partilhar.

A dor é sentida e vivida de forma individual. Independentemente da intensidade com que se sente e, da tolerância com que a suportamos, devemos aprofundar continuamente os conhecimentos sobre ela. Especialistas no tratamento da dor e equipas multidisciplinares das diferentes Unidades de Dor espalhadas pelo país ajudam o doente no tratamento da dor. A dor não tem cura, mas pode ser aliviada. Se for tratada o doente pode viver com mais dignidade e ter melhor qualidade de vida.

Não volte as costas à dor. Mesmo inconveniente, ela é uma realidade que a todos pode chegar.

Testemunho de mim.

Joaquim Tomé

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Pretendemos ser uma ponte entre os Açores e a diáspora açoriana e divulgar casos de sucesso e positivos, que sejam exemplos de iniciativas que acrescentam algo de inovador.

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