“Levamos o paciente a esquecer sua dor”

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A Associação de Doentes de Dor Crónica dos Açores (ADDCA) abriu as portas e o coração à 9idAzoresNews e contou-nos como tudo começou e qual o propósito. A missão de sempre é fazer com que o doente esqueça a sua dor e veja outra utilidade na sua própria vida. Seja doente de dor crónica ou não, acompanhe as palavras de quem a percebe em larga escala e, se ainda não estiver informado, fique a saber o que pode esta associação fazer por si ou pelos seus mais próximos.

Como se pode definir a dor crónica? 
A dor crónica é uma dor que dura pelo menos três meses, ou que tem uma duração para além do considerado normal para a cicatrização da doença que lhe deu origem, isto é que dura para além da razão que a provocou.

O que muda na vida de um doente de dor crónica?
Ela tem sempre um impacto grande na vida dos doentes e das famílias, pois quanto mais tempo dura e quanto mais intensa é, leva a alterações no estado físico e psicológico e tem repercussões económicas nos próprios, nas famílias e na sociedade. Perturba o sono, provoca sintomas desagradáveis, altera a funcionalidade, as atividades de vida diária, impede o doente de trabalhar, etc.

Quando e porque aconteceu a criação da vossa associação?
A ideia começou em 2004, quando existia a Unidade de Dor no hospital em Ponta Delgada. A informação sobre a dor crónica tornou-se uma realidade pública. Então, os profissionais de saúde pensaram na criação de um Programa Regional do Controlo da Dor e todos os eventos nacionais e internacionais eram comemorados. Em outubro de 2005, sete doentes, atendidos na Unidade de Dor, fizeram o registo oficial da associação.
Esta é uma instituição sem fins lucrativos, com cerca de oitenta membros e tornou-se um membro da PAE (Pain Alliance Europe), instituição que congrega associações de doenças crónicas de vários países da Europa.

Quais são os objetivos da ADDCA?
Divulgar informação sobre a dor crónica nas suas diferentes patologias e promover a educação para a saúde; acompanhar os doentes de dor crónica em todas as fases da história natural da doença; contribuir para o apoio social e a humanização da assistência ao doente e familiares; cooperar com todas as instituições envolvidas na área da dor crónica, nomeadamente com unidades de saúde; estabelecer relações com instituições congéneres nacionais e estrangeiras; desenvolver, isoladamente ou em colaboração com outras entidades, ações de solidariedade social e estruturas para o tratamento e reabilitação de doentes de dor crónica, e promover a investigação científica.

O que significa dor fictícia?
A dor está estudada a nível mundial e hoje em dia sabemos os mecanismos que originam dor, desde o sítio da doença até ao sistema nervoso central onde é percecionada como tal. Também são conhecidos os mecanismos para controlá-la. Os fatores psicológicos são importantes, quer porque agravam a dor, quer porque há estratégias de autocontrolo que ajudam a aliviá-la. Hoje em dia não se fala de dor psicológica.
Os profissionais identificam os casos em que a pessoa, eventualmente, pode não dizer a verdade e pode querer tirar benefícios vários de uma situação de dor.

Como combater uma dor crónica?
O tratamento depende da doença que origina a dor crónica. Primeiro que tudo, é necessário identificar e tratar a causa da dor. Mas nem sempre é possível. Deve-se reduzir a intensidade da dor para níveis que o doente possa suportar sem sintomas e sem sofrimento. Não se fala em curar a dor, mas sim em aliviá-la. O tratamento é multidisciplinar, feito por profissionais de diferentes áreas, e deve envolver várias técnicas, desde as que usam medicamentos, bloqueios anestésicos, fisioterapia, apoio psicológico, distração, entre outros, sempre com colaboração do doente e família no autoconhecimento e no autocontrolo.

Que tipo de atividades e serviços prestam às pessoas que padecem de dor crónica e que ideias têm para ir mais além?
O nosso objetivo é criar um grupo de voluntários para dar apoio a doentes de dor crónica, promover colóquios, conferências, debates e sessões de esclarecimento e dinamizar eventos de sensibilização em datas assinaláveis. Queremos também promover ações de partilha de experiências entre pessoas com cor crónica e/ou familiares. Achamos essencial divulgar informação sobre a dor crónica e criar parcerias com outras instituições.
Nos cuidados de saúde queremos efetuar rastreios, pois achamos importante introduzir a existência deste mal na edução para a saúde, para que as pessoas saibam que é real. Além disso, queremos que o diagnóstico da dor crónica seja sempre feito através de uma avaliação efetuada por técnicos, como médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, etc.
Oferecemos uma série de atividades como pintura em vários materiais, croché, bordados, música (viola, piano e canto), passeios, mercadinhos, convívio com outras associações, visitas a jardins e museus, entre outras, pois a ocupação do pensamento em atividades mecanizadas atenua o sentir da dor.

O que procuram os utentes?
Convívio, apoio e compreensão, animação, uma palavra amiga nos momentos menos bons, mas sobretudo carinho e bem-estar. Levamos o paciente, através de diversas atividades, a esquecer sua dor, dando-lhes vontade de voltar a viver.

Páginas da ADDCA:
http://addcacores.blogspot.pt/
http://dorcronicaacores.wix.com/addca

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About Author

Formada em Comunicação Social e Cultura, pela Universidade dos Açores, Patrícia Carreiro tem como paixão os livros. Já escreveu e publicou os seguintes livros: A Distância que nos Uniu, Amizade a branco e preto, O fio perdido e Os limites do coração.
Enquanto jornalista já passou pela RDP e RTP Açores, Açoriano Oriental, Expresso das Nove e JornalDiário.com. Foi representante da Chiado Editora e da Pastelaria Studios Editora nos Açores e coordena o projecto EscreVIVER (n) os Açores.
Atualmente, é diretora editorial e jornalista da 9idAzoresNews.

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