É importante “mostrar as singularidades que as ilhas têm”

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr +
Manon Rosenboom Alves é autora do livro Marca Pessoal, SA, com a chancela da editora RH, e falou à 9idAzoresNews sobre o necessário para todos e cada um terem a sua marca pessoal.

Na sua opinião, os Açores têm singularidades que fazem a diferença, pelo que é necessário mostrá-las ao mundo.

E você: já sabe qual é sua marca pessoal? Leia a entrevista e responda a si próprio!

Temos todos uma marca pessoal? Como descobrimos a nossa?
Sim, todos nós temos uma marca pessoal e já começamos a criá-la em criança! As nossas verdadeiras paixões descobrimos quando ainda somos muito novos e quando temos todo o tempo para explorar o que realmente gostamos e fazê-lo cada vez melhor sem sentir que isto é uma obrigação. Mais tarde, as nossas escolhas enquanto estudante, as atividades extracurriculares e, claro, o nosso comportamento definem de forma mais clara a nossa marca pessoal. Não quer dizer que não podemos adaptá-la ao longo da nossa vida, mas a essência não mudará. Para muitas pessoas não é fácil descobrir a sua marca pessoal. Na maioria dos casos, acontece por falta de autoconhecimento, ou seja, saber o que realmente gostariam de fazer e como são vistos pelos outros. Parece estranho, mas muitas pessoas, já nos seus 30 e tal ou 40 e tal anos, quando param para pensar sobre estas questões (ou quando são obrigadas pelas mais diversas razões) descobrem que não é assim tão fácil definir em poucas palavras quem são, quais são os seus lados fortes e como podem diferenciar-se. Por outro lado, há pessoas que sabem muito bem o que querem fazer, mas não sabem como fazer esta mudança na sua vida. No meu livro dou exercícios para se ter esta ideia mais clara e formas de comunicar com as pessoas que são importantes para elas.

Há truques importantes para manter a nossa marca. Quais, por exemplo?
Em primeiro lugar, não basta ter uma marca pessoal. Há marcas pessoais que estão bem definidas, mas não são a marca que queremos manter. Por isso, em primeiro lugar devemos ser fieis a nós próprios e fazer este trabalho que nos realmente faz feliz e fazer isto com o melhor da nossa personalidade, conhecimento e experiência. Se, por exemplo, o valor confiança é crucial para nós, devemos mostrar esta confiança através dos nossos atos e não só em determinadas situações.  Depois, é importante pensar na divulgação. Vivemos numa sociedade que está sempre ‘on’; 24 horas durante 7 dias por semana. Com as redes sociais temos imensas possibilidades de divulgar o melhor de nós, mas isto também exige bom senso e pensar bem o que quer mostrar de si, ou seja como quer ser visto pelos outros. Depois a sua imagem pessoal também é um elemento da marca pessoal pelo que é importante pensar no estilo que tem realmente a ver connosco e pormenores como o cabelo, maquilhagem e acessórios.

Na sua opinião, é importante que as pessoas tenham estas questões bem definidas nos dias que correm?
Na minha opinião isto é importante, pois, se não fizermos este exercício, parece que somos mais um a fazer aquilo que milhares de outras pessoas fazem. Cada pessoa tem a sua combinação única de personalidade, conhecimentos, experiências e gostos, e mostrar o seu valor diferenciador é essencial para ser reparado no meio de tanta comunicação.

Há muito empreendedorismo a correr nas veias dos jovens portugueses, mas muitos negócios a falhar. O que devemos fazer para que esta realidade mude?
Escolher um negócio que tem a ver com a nossa área de interesse é importante para montar um negócio, mas nunca será o suficiente para ter sucesso. O conhecimento, a experiência, saber trabalhar em equipa com pessoas que tem competências essenciais que nós não temos é crucial. Depois, muitas pessoas às vezes não se realizam porque montar um negócio demora tempo, não é uma questão de alguns meses. Precisamos de muita persistência e perseverança e continuar a acreditar no nosso negócio, mesmo quando as coisas não correm como esperamos. Mas também é preciso de ter resiliência e avaliar se estamos no caminho certo.

É uma holandesa em Portugal. No seu ponto de vista, em que setores os portugueses têm mais capacidades para criar a sua marca pessoal?
Sempre achei que corre muita criatividade no sangue português. Já há 20 e tal anos, quando trabalhava com várias agências de marketing, achava que havia imensas ideias boas para diferenciar os produtos. Ora, esta criatividade é algo essencial para ter sucesso em qualquer negócio, mas sem planeamento e organização um negócio dificilmente terá sucesso. Mas graças a esta criatividade vemos novas aplicações de materiais, como por exemplo com a tecnologia, a cortiça, a borracha e pele de peixe, pelo que Portugal é muito capaz de trabalhar em nichos pouco explorados e acessíveis apenas a pequenos grupos, mas com poder de compra. Depois, claro, temos os setores mais típicos como o vinho e azeite, que são cada vez mais apreciados no estrangeiro, até na China, e, devido às quantidades/capacidades mais pequenas, mantemos o ‘small is beautiful’ como um fator de diferença.

Os Açores são uma região que começa a ser cada vez mais explorada. Conhece o empreendedorismo que por cá se faz?
Infelizmente não fui ainda aos Açores, mas gostava muito! Um casal de amigos foi recentemente para os Açores e montaram lá um hostel e um restaurante. Com o turismo a crescer exponencialmente, penso que os Açores têm imensas oportunidades neste setor a nível internacional. Aqui também a divulgação é um fator importante, assim como mostrar as singularidades que as ilhas têm.

Este é o seu primeiro livro. Que outros tem em mente?
Não pensei muito ainda nisto, para já penso em enriquecer o livro atual nas próximas edições! Mas se um dia houver outro livro, será sobre temas ligados a este, pois são os temas que realmente me fascinam!

Escolheu Portugal. Porquê?
É uma história longa!…. Primeiro, vim cá há 22 anos no âmbito de um intercâmbio de Erasmus. Fui a única a escolher um país do sul de Europa naquela altura, mas era isto que queria. Agora, além da cultura e da boa comida, é o amor português que me mantém cá!

Share.

About Author

Formada em Comunicação Social e Cultura, pela Universidade dos Açores, Patrícia Carreiro tem como paixão os livros. Já escreveu e publicou os seguintes livros: A Distância que nos Uniu, Amizade a branco e preto, O fio perdido e Os limites do coração. Enquanto jornalista já passou pela RDP e RTP Açores, Açoriano Oriental, Expresso das Nove e JornalDiário.com. Foi representante da Chiado Editora e da Pastelaria Studios Editora nos Açores e coordena o projecto EscreVIVER (n) os Açores. Atualmente, é diretora editorial e jornalista da 9idAzoresNews.

Comments are closed.